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12 de Maio 2022

“Tornar o trabalho dos enfermeiros público”

Assinala-se este 12 de maio o Dia Internacional do Enfermeiro. Valorização da carreira para evitar saída de profissionais do SNS para os privados e para o estrangeiro.

Os enfermeiros desempenham um papel fundamental na prestação de cuidados de saúde, mas, nos últimos anos, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem sofrido com a saída destes profissionais para o setor privado ou para o estrangeiro. A valorização deste grupo profissional, através da revisão da carreira e da criação de melhores condições de trabalho, tem sido uma das soluções apontadas para manter os enfermeiros no SNS.

Este ano, o Dia Internacional do Enfermeiro, que se comemora a 12 de maio, tem como tema “Enfermeiros: Uma voz para liderar – Investir em Enfermagem e respeitar os seus direitos para garantir a saúde global”.

 

Para Paula Branco, enfermeira diretora, e vogal executiva do Conselho de Administração do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil (IPO Lisboa), assinalar esta data – que coincide com o nascimento de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna – é importante porque “torna público o trabalho de todos os enfermeiros, que geralmente só é lembrado em situações críticas, como foi o caso da pandemia”. “No fundo”, prossegue, trata-se de “um obrigado para todos os enfermeiros num dia específico”.

Para os que trabalham em Oncologia, considera a responsável, os principais desafios prendem-se com “a necessidade de uma atualização constante dos conhecimentos, face à evolução da medicina e aos novos tratamentos” e sobretudo com a “capacidade que temos de dar respostas às necessidades emocionais do utente e da família” que recorrem aos enfermeiros, bem como as às necessidades emocionais destes profissionais.

 

No IPO Lisboa trabalham quase 600 enfermeiros (571, segundo o Relatório de Gestão e Contas 2021), mas são necessários pelo menos mais uma centena de profissionais (719 previstos para 2022). O IPO Lisboa “tem tentado colmatar esta falha indo às escolas falar aos alunos que estão a terminar os cursos, participando em feiras de emprego, organizando formação interna, quer para valorizar os profissionais que cá trabalham, quer para ajudar os novos elementos a adquirir conhecimentos que lhes são úteis na sua prática diária. Mas só os esforços desenvolvidos pelo Instituto não chegam”, acrescenta.

 

De acordo com Paula Branco, a área da Oncologia “é uma área pesada, física e emocionalmente”. “Era importante que os Contratos Individuais de Trabalho (CIT) fossem equiparados aos Contratos de Trabalho em Funções Públicas (CTFP)”  e fosse ponderada “a atribuição de um subsídio aos enfermeiros em Oncologia, como já existiu”.

 

A enfermeira antecipa “tempos ainda mais difíceis” para o futuro da profissão. “Nós não somos meros técnicos a executar tarefas, nós cuidamos. Se não se valorizar atempadamente os profissionais, eles continuaram a sair, quer para os privados quer para outros países onde se sentem mais valorizados, deixando o SNS com menos capacidade de resposta”, sublinha.

No seu entender, a revisão da Carreira de Enfermagem, “terminando com duas carreiras para a mesma profissão” é uma das medidas necessárias para valorizar a profissão. Uma carreira que reconheça “o trabalho, o investimento profissional ,a valorização salarial, e que permita aos enfermeiros não terem que recorrer ao duplo emprego, para ter alguma qualidade de vida”.​

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