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29 de Junho 2022

Rotinas das crianças em modo doutor palhaço

Espetáculo da Operação Nariz Vermelho arrancou gargalhadas à assistência no IPO Lisboa. Musical revela como se portam os palhaços quando estão em casa.

Quando chegam a casa depois da escola, por regra, as crianças brincam, tomam banho e jantam antes de se deitar. Mas o que acontece aos doutores palhaços da Operação Nariz Vermelho (ONV) quando regressam do hospital, onde “trataram” dos mais pequenos? Exatamente a mesma coisa. Mas, de uma forma muito mais engraçada.

 

Este foi o guião do espetáculo musical “Compasso de palhaço – Pequena sinfonia das horas vagas” exibido esta quarta-feira, dia 29 de junho, no Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil (IPO Lisboa). Fernando Escrich, diretor artístico da ONV e responsável pela atuação, contou que a ideia partiu das perguntas feitas pelas crianças quando algum doutor palhaço não pode ir “trabalhar”.

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“Inventamos histórias absurdas: Ou porque ficou preso no armário ou ganhou um concurso na Sibéria…”. Então, prosseguiu o responsável, decidiu-se retratar “o quotidiano das crianças quando chegam a casa, traduzido para a lógica dos palhaços”.

 

“É tão bom voltar a casa depois de um belo dia no hospital”, vão cantando no recinto, frente ao Pavilhão Central, os doutores e enfermeira: dra. Acredita, dra. Aurora Benvinda, super dra. Gingação, dra. Domingas Xabregas, enfermeira Xtruz, dr. Choca Pic, dr. Custódio e dr. Bambu, que se assumiu logo como chefe do grupo.

 

Desta vez, além dos doentes mais novos, que costumam contactar com os doutores palhaços no internamento do Serviço de Pediatria e, até à pandemia por COVID-19, no Hospital de Dia, também os crescidos que não são acompanhantes das crianças puderem ter contacto com este universo mágico.

Entre cantigas e palhaçadas, a assistência ia aumentando em redor do palco e a história prosseguia. Eram crianças, muitas delas tratadas no Instituto, outras que acompanhavam os familiares, utentes adultos entre consultas ou à espera da sua vez, e funcionários que iam passando para espreitar e ouvir uma ou outra canção.

 

O jogo do “macaquinho chinês” foi o escolhido pelos personagens para fazer rir ainda mais os que assistiam. “Qual é coisa qual é ela quando a mãe manda entrar eu não quero ir, mas depois de estar lá dentro não quero sair?”. A adivinha levou os pequenos espetadores ao momento seguinte e muito engraçado: a hora do banho.

Seguiu-se o jantar, com muitas das iguarias preferidas pelos mais novos, como lasanha e batatas fritas, mas também feijoada. As loiças serviram de instrumentos musicais das quais saíram ritmos bem animados.

 

Depois da refeição ainda houve lugar para o “festival da eurovisão” disputado pelo “lado direito” com o “lado esquerdo”. Mas aqui surgiu uma briga, também comum entre a pequenada que tem irmãos. Mas nada que não tivesse ficado resolvido em segundos.

 

Pior ficou o dr. Custódio que, como comeu mais do que a conta, acabou por ficar com dores de barriga. Aí os restantes palhaços lembraram-se que também são médicos e foram ajuda o amigo. A hora do xixi criou uma fila para a casa de banho, mas não podia faltar antes de se ir para a cama.

Viram estrelas, cantaram de novo, foram dormir e assim acabou mais um dia dos doutores palhaços, bem como o espetáculo. No entanto, a brincadeira prosseguiu com os cumprimentos aos mais pequenos e até houve quem tivesse tocado na bateria do dr. Bambu.

 

Susana, de 11 anos, presente no público, embora não tivesse assistido desde início, estava contente no final do espetáculo. A mãe, também Susana, revelou que já conheciam os doutores palhaços do internamento no Serviço de Pediatria. “O seu trabalho é muito importante. As crianças acabam por se esquecer da rotina dos tratamentos e do ambiente hospitalar”, acrescentou a mãe.

 

Carolina, de 9 anos, elegeu o jogo do “macaquinho chinês” como momento mais engraçado do musical. Por seu lado, a mãe Marta destacou a “alegria” e a “leveza” que estes doutores trazem às crianças seguidas no IPO Lisboa.

Já a Margarida, de 5 anos, escolheu a hora do banho como parte preferida. Já conhecia alguns dos doutores do espetáculo, mas não todos. “É uma lufada de ar fresco, com a idade que ela tem, como não pode estar com amigos, assim consegue ser feliz”, sublinhou a mãe Ana Isabel.

 

Este musical integra-se nas comemorações do 20º aniversário da ONV, a par da exposição itinerante “Da ponta do nariz ao sorriso de uma criança”, que pode ser vista no piso 2 do Pavilhão Central (corredor da sala de reuniões) do IPO Lisboa, até 4 de julho.

 

O espetáculo está em digressão por todos os hospitais parceiros da instituição, para ser visto por utentes, familiares e funcionários, mas em outubro será exibido no Centro Cultural de Belém e aberto ao público em geral.