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30 de Novembro 2023

Novembro "rima" com Movember

Mais um ano em que a iniciativa de convidar os homens a usar bigode (moustache) por um mês voltou a sair à rua! Rodrigo Ramos, Urologista do IPO Lisboa, relembra a importância do diagnóstico nos vários tipos da doença masculina.

Com início em 2003, esta iniciativa bem-disposta originária da Austrália e atualmente presente em todo o mundo procura trazer o foco para as doenças masculinas. Em oncologia, destacam-se o tumor da próstata e o tumor do testículo, mas numa visão mais abrangente poderá verificar-se que a capacidade de resistência do homem à maioria das doenças é menor do que a das mulheres. Evidencia este facto a menor esperança de vida dos homens.

 

No IPO Lisboa, celebramos esta data desde há alguns anos e convidamos os mais corajosos a deixarem crescer o seu bigode! Às senhoras pede-se a sua solidariedade.

 

Trabalhamos todos os dias para trazer mais respostas aos nossos doentes com tumor da próstata, tumor do testículo e tumor do pénis.

Estas três doenças apresentam desafios muito diferentes entre si.

 

Testículo. O tumor do testículo é o tumor sólido mais frequente nos homens com idade inferior a 35 anos, sendo diagnosticados cerca de 150 casos por ano em Portugal. No IPO Lisboa, temos a capacidade de tratar desde a doença localizada à doença avançada, num trabalho marcado pela multidisciplinaridade. Foi nesse sentido que criámos o Centro de Referência para o Tumor do Testículo, em 2015. O tratamento do tumor do testículo continua, no entanto, a levantar-nos verdadeiros desafios. Destaca-se a dificuldade de alertar homens jovens para o autoexame testicular. Na presença de um nódulo palpável, sobretudo se indolor, deve ser procurada ajuda médica.

 

Pénis. O tumor do pénis surge no outro extremo da idade, tendo a maioria dos doentes mais de 65 anos. É uma doença rara com cerca de 100 casos por ano em Portugal, o que dificulta o seu estudo. Esta é também uma doença silenciada. Do tumor do pénis pouco ou nada se fala, sendo este o principal entrave ao diagnóstico numa fase em que a solução cirúrgica é menos radical. Identificado em fase precoce, é possível oferecer ao doente técnicas reconstrutivas com bom resultado cosmético e, talvez mais importante, funcional.

 

Próstata. O tumor da próstata é um tumor mediático por ser o tumor não cutâneo mais comum no sexo masculino. Em Portugal são diagnosticados cerca de 6700 casos por ano e morrem anualmente cerca de 1900 doentes (5 homens por dia). Pelos seus números impactantes, constitui uma das neoplasias com mais peso para a população e para os gastos em saúde.

Como na restante doença oncológica, a maior dificuldade é diagnosticar os tumores da próstata clinicamente significativos numa fase precoce. Para tal, tudo começa numa análise de PSA, sigla para Antigénio Específico da Próstata (Prostate Specific Antigen), marcador tumoral que permite um diagnóstico precoce.

“Com acesso a mais informação pretendemos ultrapassar a barreira do receio e talvez embaraço que alguns
podem sentir quando se fala desta doença”.

Com o ‘Movember’, pretende-se desafiar os homens com mais de 50 anos a abordarem este tema com o Médico de Família e, justificando-se, fazer uma marcha diagnóstica que permita identificar a doença numa fase localizada, quando o tratamento tem melhores resultados. Com acesso a mais informação pretendemos ultrapassar a barreira do receio e talvez embaraço que alguns podem sentir quando se fala desta doença; não esquecer a importância do exame objetivo; e lembrar que não há um verdadeiro valor de PSA normal. É a história e a sequência de valores de PSA de um doente que muitas vezes encaminha para um diagnóstico.

 

Numa ótica positiva, destacamos a mudança de paradigma que assume, nos dias de hoje, a vigilância ativa do tumor da próstata como uma atitude médica válida. Ter tumor da próstata já não significa sempre um caminho de cirurgia, radioterapia ou tratamentos sistémicos – cada qual com os seus efeitos secundários. Não! Sendo identificados em fase precoce, interessa-nos conhecer melhor os nossos doentes, separar a doença agressiva da indolente e perceber quais são os doentes que precisam de um tratamento rápido e eficaz permitindo aos outros manter uma vigilância e uma normalidade da sua vida até ao momento em que a doença possa progredir, sem com isso comprometer a janela de sucesso terapêutico.

 

Um abraço do IPO Lisboa!

Rodrigo Ramos
Urologista do IPO Lisboa