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30 de Março 2022

Especialistas debatem sobre tumores cerebrais

O IPO Lisboa acolhe entre amanhã e sexta-feira o “Seminário de Neuro-Oncologia: da criança ao adulto”. Peritos internacionais participam no encontro

Durante dois dias o anfiteatro do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil (IPO Lisboa) vai reunir mais de uma centena de médicos para debaterem o panorama atual de alguns dos tumores cerebrais mais comuns, designadamente os gliomas e os que são causados por neurofibromatose tipo 1.

Segundo o médico Duarte Salgado, diretor do Serviço de Neurologia do IPO Lisboa, uma das mais-valias deste encontro prende-se com o facto de se ir fazer um ponto de situação da realidade neuro-oncológica nas crianças e também nos adultos. “Mostra que as equipas (do IPO Lisboa) falam umas com as outras. É uma continuidade que prezo muito e que se espelha na sobrevivência dos adultos”, frisa.

 

O especialista destaca a presença dos vários especialistas internacionais, como Uri Tabori, da Universidade de Toronto (Canadá), e de Michael Weller do Hospital Universitário de Zurique (Suíça). O programa conta ainda com Gregory T. Armstrong, do Hospital St. Jude Children’s Reserach, e Michael J. Fisher, do The Children’s Hospital of Philadelphia, ambos dos EUA.

 

Já os oradores portugueses são maioritariamente do IPO Lisboa: Ana Azevedo, João Passos, José Bandeira Costa, Mariana Fernandes, todos do Serviço de Neurologia, e Marcos Veiga, do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central.

Impacto para o futuro

“Vamos apresentar a experiência que temos”, revela Duarte Salgado sublinhando que, apesar de a neurologia se tratar de um “serviço eminentemente clínico”, os tratamentos direcionados aproximam a “parte da investigação” dos especialistas. “O que é importante é perceberem que existe uma atividade de qualidade”, disse, destacando que a evolução da oncologia trará “impacto para o futuro”.

Uma das inovações com resultados já percetíveis é o novo tratamento para a neurofibromatose tipo 1, que “finalmente pode ajudar os doentes”, que está a ser utilizado no IPO Lisboa. “É uma doença genética das mais frequentes, muito ligada à oncologia e à neuro-oncologia”. Com uma “forma de apresentação muito variada”, esclarece, a doença oncológica derivada da neurofibromatose pode manifestar-se “logo no primeiro ano de vida” ou em qualquer outra faixa etária.

 

Os dias do seminário estão divididos em duas partes. As manhãs são dedicadas às apresentações científicas. À tarde serão discutidos casos, “como nas reuniões clínicas”. O programa pode ser consultado aqui.

Este encontro, dirigido a profissionais de Anatomia Patológica, Biologia Molecular, Neuro-Cirurgia, Neurologia, Neurorradiologia, Oncologia Médica, Pediatria, Psicologia e Radioterapia, ultrapassou a adesão esperada. Estão inscritos mais de uma centena de profissionais. “Achámos que ia ser uma reunião pequena, mas veem participantes de todo o país, sobretudo médicos internos, o que é a garantia de que o nosso trabalho tem continuidade”, rematou.