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31 de Maio 2023

A hora da reforma

A pediatra Filomena Pereira e o urologista Eduardo Silva cumprem hoje o seu último dia de trabalho no IPO Lisboa. Depois de vários anos de trabalho e dedicação chegam à reforma e entram numa nova fase das suas vidas.

 

Sonhava ser médica ou cabeleireira

 

Em criança, Filomena Pereira, diretora do serviço de Pediatria do IPO Lisboa, sonhava ser médica ou cabeleireira. Mas foi a primeira opção que prevaleceu. A escolha da área da oncologia pediátrica “foi um acaso que se proporcionou” no Hospital de Santa Maria, onde iniciou a sua carreira. Por considerar que “o tratamento da doença oncológica devia estar centralizado aqui”, no Instituto, ‘fixou-se’ na Pediatria logo em 1995.

 

Ao longo destes quase 30 anos, “a hospitalidade desta Instituição, tanto para profissionais, como para doentes”, sempre a marcou e fez a diferença desde o início da sua carreira nesta casa. “Gostaria muito que com estes novos enquadramentos, não se perdesse esta característica que é uma marca própria do IPO Lisboa”, salienta Filomena Pereira.

Em 2009, assumiu a direção do Serviço de Pediatria. O seu espírito de brincadeira e “palhaçada” ajudou a fazer um contraponto com o peso do dia-a-dia e os vários desfiles de Carnaval são disso bom exemplo. Vestiu a pele de várias personagens, mas a que mais a marcou foi a ‘Capitã Filó e seus piratas’, em 2018, por lhe transmitir “uma imagem de liberdade”.

 

“Foram muitos anos de trabalho e agora é hora de me reencontrar”, conclui a médica. Aos elementos do Conselho de Administração, que se foram despedir dela e oferecer um ramo de flores no último dia de trabalho, ainda disse, em tom de brincadeira: “Agora é tempo de ir jardinar”.

Um dos primeiros médicos internos do Instituto

 

Eduardo Silva chegou ao IPO Lisboa em 1986 e em 2009 assumiu a direção do Serviço de Urologia. Foi dos primeiros internos a chegar ao Instituto para a “tirar a especialidade de urologia”, recorda. “Éramos um pequeno grupo de seis internos”, conta Eduardo Silva, que ainda tem na memória “a fila nos serviços administrativos para receber o envelope do ordenado. O ordenado era pago em dinheiro”.

 

Ao longo destes 37 anos de trabalho, viu alterar-se a organização e gestão hospitalares. “Antes, a Urologia, a Ginecologia e a patologia do reto estavam no sexto piso. Estávamos organizados por clínicas. Só nos finais dos anos 1990 é que se organizaram os serviços”, relembra o médico.

Também a modernização das infraestruturas e a evolução tecnológica foram preponderantes e é algo que identifica como marcador da evolução dos tempos no IPO Lisboa. “Passámos de um hospital envelhecido para um hospital mais moderno, não esquecendo os avanços na medicina, nomeadamente a evolução tecnológica a que temos assistido e tem sido uma mais-valia no nosso trabalho diário com os doentes. Sempre fomos um hospital na vanguarda da urologia no nosso país, de onde se pode destacar o pioneirismo na área da braquiterapia e prostatectomia”, salientou.

 

“Agora vou dedicar mais tempo à família porque a prática clínica tira-nos muito tempo, com muitas horas dedicadas ao nosso trabalho”, concluiu, quando o Conselho de Administração se foi despedir.

O Conselho de Administração agradece a ambos todo o empenho, dedicação e profissionalismo ao longo de todos estes anos e deseja as maiores felicidades para o futuro.