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Fundadores do IPO

Henrique Parreira
1885-1945

 

Figura de relevo na ciência médica portuguesa e no professorado, Henrique Fragoso Domingues Parreira foi um dos fundadores do IPO e integrou a primeira Comissão Diretora do instituto, onde desempenhou também as funções de chefe de serviço de Anatomia Patológica.

 

Foi uma autoridade na patologia do cancro, doença a que dedicou quase toda a sua atividade, tendo desenvolvido importantes estudos em diversas especialidades na área da oncologia. Tinha o dom da palavra e da clareza na explicação de assuntos áridos como o da doença e as suas aulas e conferências eram muito frequentadas e apreciadas.

 

Acompanhou Francisco Gentil, seu mestre e grande amigo, desde os tempos de estudante, e o fundador do IPO fez questão de o ter a seu lado na construção do grande empreendimento que é o Instituto. É a Henrique Parreira que se deve a organização de vários serviços, entre os quais o do diagnóstico do cancro.

 

Nasceu em Lisboa em 1885 e licenciou-se em Medicina pela antiga Escola Médico-Cirúrgica da capital, em 1906. Diplomou-se também em Medicina Sanitária. Começou a vida profissional como professor do ensino livre e depois no Liceu Passos Manuel.

 

Dedicava-se ao estudo da Histologia e da Anatomia Patológica. Foi chefe de laboratório das clínicas escolares e da Clínica de Terapêutica e Técnica Cirúrgicas do Hospital de Santa Marta, assistente na secção médica dos Hospitais Civis de Lisboa e, mais tarde, no Serviço Central de Anatomia Patológica. Entrou como assistente de Anatomia Patológica para a Faculdade de Medicina de Lisboa, onde fez carreira, e integrou o Conselho Médico-Legal.

 

Estudou com anatomopatologistas internacionais de renome, em Berlim e Estrasburgo, e deixou vários trabalhos publicados no ramo das ciências médicas, muitos deles apresentados em congressos e reuniões científicas em Portugal, Espanha, França e Bélgica. Era frequentemente o representante do IPO em encontros internacionais.

Henrique-Parreira

Fez parte da União Internacional de Luta contra o Cancro, foi membro da Comissão de Classificação Anatomoclínica dos Tumores e foi regente de cursos de Semiótica Laboratorial, Autópsias e Diagnóstico Anatomopatológico, e Histologia Patológica. Foi também bibliotecário e secretário da Faculdade de Medicina e subdiretor do Hospital Escolar.

 

Descreviam-no como um homem de grande inteligência, profundamente dedicado ao estudo e ao trabalho, de caráter franco e leal, e de uma grande bondade.

 

Em 1929 foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem de S. Tiago da Espada. Morreu em 1945.

Marck-Athias

Marck Athias
1875-1946

 

Médico, investigador na área das ciências biomédicas, pioneiro do estudo da histologia e da bioquímica em Portugal, Marck Anahory Athias foi um dos mais próximos amigos e colaboradores de Francisco Gentil na construção do IPO e integrou a primeira Comissão Diretora do Instituto.

 

Francisco Gentil era um homem de ação, um planificador de rara visão, um organizador como havia poucos, mas não era um homem de laboratório, e desde os primeiros passos que deu na luta contra o cancro em Portugal, ainda no Hospital Escolar de Santa Marta, que confiou nos seus dois mais próximos amigos, Henrique Parreira e Marck Athias, para moldar o Instituto para o Estudo do Cancro. De Athias, disse Francisco Gentil: «Era um sábio e era o tipo superior do investigador. Fez escola, ensinou, distribuiu, sem pensar em si e nos seus interesses, o seu saber e a sua brilhante inteligência. Transformou o meio em que viveu, e isso representa uma árdua tarefa. O espírito científico, as publicações que dão ao Instituto Português de Oncologia a mais sólida categoria internacional, devem-se a Athias».

 

Marck Athias deixou uma obra científica de grande importância – «a sua estrutura moral não lhe permitia ‘fazer barulho’ e por isso não teve a descoberta retumbante, mas fez

uma grande obra de educador», testemunhou Francisco Gentil – em diversas áreas: Histologia Normal e Patológica, Citologia, Endocrinologia Sexual e Oncologia. Destacam-se dois estudos sobre a estrutura de tumores espontâneos e experimentais e as suas metaplasias, e trabalhos sobre lesões histológicas das glândulas sexuais e endócrinas em animais cancerosos e pré-cancerosos. Além da valiosa colaboração na luta contra o cancro em Portugal, Marck Athias deu um enorme impulso à investigação médica e biológica – a ele se deve a introdução da técnica de investigação experimental no ensino e na investigação biomédica em Portugal.

 

Criou uma escola de investigação ligada ao Instituto de Fisiologia, que dirigia, associada a uma estratégia de renovação da mentalidade da medicina portuguesa, em linha com o ideário positivista do republicanismo em Portugal.

Nasceu no Funchal, numa família de ascendência judaica, e licenciou-se muito novo em Medicina, em Paris, onde trabalhou no Laboratório de Histologia. Os seus trabalhos como histologista foram premiados pela Faculdade de Medicina de Paris.

 

Em 1903 instalou-se em Lisboa e Miguel Bombarda nomeou-o diretor do Laboratório de Histologia do Hospital de Rilhafoles. Ensinou Histologia Médica e esteve ligado à Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, onde o seu trabalho deixou ramificações profundas.

 

Morreu em 1946, vítima da doença que tanto estudou e combateu.

Bénard Guedes
1887-1965

 

Radiologista de grande prestígio, foi uma figura destacada da medicina portuguesa que esteve ligada à fundação do IPO, integrando a primeira Comissão Diretora.

 

Assistente livre da clínica de Francisco Gentil, em 1922 foi contratado para dirigir o Serviço de Radiologia do Hospital Escolar. Em 1923 integra o grupo de fundadores do IPO, onde organizou e chefiou os serviços de Radiologia e Radioterapia.

 

Francisco Bénard Guedes nasceu em Lisboa, em 1887, e licenciou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde se especializa em Radiologia. Trabalhou no Serviço de Radiologia do Hospital de Saint Antoine em Paris, e depois no Laboratório de Radioatividade de Gif. De regresso a Portugal, chegou a chefe do Serviço de Radiologia do Hospital Escolar de Santa Marta, e mais tarde do de Santa Maria, quando o hospital escolar passou para este estabelecimento. Foi regente da cadeira de Semiótica Radiológica da Escola Médico-Cirúrgica.

 

Publicou diversos trabalhos sobre radiologia e radioterapia oncológica em Portugal e no estrangeiro, foi um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Radiologia, e membro de várias agremiações médicas em Portugal, França e Itália. Foi secretário da Liga Portuguesa contra o Cancro, da qual a sua mulher foi uma das fundadoras.

 

Morreu em 1965, de cancro do pulmão.

Benard-Guedes
Raposo-de-Magalhaes

Raposo de Magalhães
1884 – 1961

 

Médico prestigiado, a vida de João Emílio Raposo de Magalhães, fundador do IPO e membro da primeira Comissão Diretora, passou por outras áreas que não exclusivamente a medicina e integrou conselhos de administração de algumas das grandes empresas do seu tempo – incluindo o Banco de Portugal.

 

Nasceu em Alcobaça, em 1884, e licenciou-se em Medicina na Universidade de Coimbra – onde chegou a professor catedrático – depois de inicialmente se ter matriculado em Matemática e em Filosofia.

 

Em 1911, o governo encarregou-o, em comissão de serviço, de estudar o problema do cancro. Mais tarde, foi novamente nomeado para uma comissão de serviço, desta vez no estrangeiro, pelo ministro da Guerra. Em simultâneo, regeu um curso livre de Cirurgia na Faculdade de Medicina de Lisboa. Também lecionou Técnica Cirúrgica e Medicina Operatória e dirigiu a Clínica de Terapêutica e Técnica Cirúrgica e o Laboratório de Técnica Cirúrgica.

 

Em 1923 foi nomeado para a Comissão Diretora do IPO, onde organizou e dirigiu o ensino de cancerologia, sobretudo a partir de 1942.
Foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura, diretor do Instituto Nacional de Educação Física e presidente da Liga Portuguesa contra o Cancro.

 

Integrou os conselhos de administração de empresas como a CP, a SACOR e a Companhia de Seguros Fidelidade. Foi também administrador do Banco de Portugal.

 

Reformou-se em 1950 e foi condecorado com o grau de Oficial da Ordem de Instrução Pública e de Oficial da Legião de Honra.

 

Morreu em 1961.

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