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DIA MUNDIAL DAS HEPATITES VÍRICAS

17 07 2012


O dia 28 de Julho é o dia mundial das hepatites. Dia em que nasceu Baruch Blumberg, que descobriu a hepatite B (década de 60), Nobel da Medicina em 1976. O principal objectivo desta data é assinalar, a importância da prevenção, das hepatites B e C, que se estima afectarem uma em cada doze pessoas em todo o mundo. Apesar de estes números superarem largamente a prevalência de outras doenças como a SIDA ou o CANCRO, a verdade é que a maior parte dos portadores desconhece que tem a doença. Pretende-se chamar a atenção para a necessidade de divulgar as principais vias de contágio das hepatites, formas de apresentação da doença e tratamentos disponíveis na actualidade.


A longo prazo, o objectivo da campanha onde se insere o dia 28 de Julho é prevenir o desenvolvimento de novas infecções e aumentar a qualidade de vida dos já infectados, quer prestando esclarecimentos relativamente às doenças, quer acentuando a necessidade de se tratarem, quando isso é possível.


Verifica-se, no contacto diário com os doentes, um enorme desconhecimento relativamente às hepatites víricas, nomeadamente no que diz respeito às formas de transmissão, sintomatologia acompanhante e tratamentos actuais. Para quem lida diariamente com esta matéria, é também evidente o baixo grau de suspeição relativamente a estas infecções, inclusivamente no meio médico. É preciso notar que os doentes cronicamente infectados com os vírus das hepatites B e C podem viver uma vida inteira sem qualquer sintoma e só serem detectados, muito tardiamente, após o desenvolvimento de cirrose hepática e/ou cancro do fígado. Entretanto, podem ter sido veículos de contágio da doença sem o saber. Por estes motivos, salienta-se a importância de conhecer o perfil serológico do paciente e referenciar para consulta da especialidade (Hepatologia).



Apesar de existirem factores de risco para o contágio, na realidade muitos deles constituem inevitabilidades transversais à população, pelo que não se deve restringir o rastreio destas infecções aos chamados “grupos de risco”.


As vias mais comuns de transmissão dos vírus das hepatites B e C são as seguintes:

  • SANGUÍNEA
  • Intervenções médicas/dentárias com material inadequadamente esterilizado;
  • Transmissão vertical (isto é, de mãe para filho durante a gravidez e parto);
  • Partilha de objectos por toxicodependentes de drogas injectáveis e inaladas;
  • Partilha de objectos domésticos passíveis de conter sangue contaminado, como escovas de dentes, corta-unhas ou lâminas de barbear;
  • Tatuagens e piercings efectuados com material inadequadamente esterilizado.


No caso da hepatite B, a infecção pode também ser contraída por via sexual.
A vacina para a hepatite B é a melhor forma de prevenir a infecção, dado que é muito eficaz e segura. Infelizmente, não está ainda disponível uma vacina para a hepatite C.


Quero crer que longe vão os tempos em que os médicos se limitavam a observar a evolução do padrão das chamadas “análises do fígado” (TRANSAMINASES), para decidir proceder ou não à referenciação destes doentes. Nestas infecções, a pior decisão é a de ficar tranquilo apenas com a ausência de sintomas. Enquanto isso, muitas vezes o vírus não só está activo como se perde, um tempo útil, para actuar. E mesmo que a melhor decisão agora seja a de não tratar, dentro de 4 ou 6 meses tudo pode ser diferente. Na realidade, as hepatites B e C podem ter um padrão de evolução muito flutuante e traiçoeiro. Assim, os testes laboratoriais, com a detecção directa (carga viral) ou indirecta (marcadores serológicos) dos agentes virais, são uma mais-valia para o diagnóstico e acompanhamento terapêutico.


No caso da hepatite B crónica, a cura da infecção, objectivo último da nossa actuação como médicos, é ainda poucas vezes alcançada. Por isso, o esforço deve centrar-se em manter o vírus inactivo durante o máximo tempo de tempo possível, o que muitas vezes requer mudanças de fármacos, face ao risco de resistências.


No caso da hepatite C, a cura é um objectivo possível num número cada vez maior de casos. Na realidade, apesar de a terapêutica ser normalmente mais difícil do que no caso da hepatite B, pois ainda implica o uso de um fármaco injectável e com efeitos adversos não desprezíveis, assistiram-se nos últimos anos a avanços apreciáveis no conhecimento e controlo desta infecção.
Os novos fármacos para a hepatite C, cuja importância é indiscutível até para chamar a atenção para a infecção, são delicados em termos de cumprimento terapêutico, efeitos adversos e custo. E se alguns doentes não podem esperar mais alguns anos e beneficiar dos avanços prometidos em termos de tolerabilidade e segurança, outros há em que a dúvida permanece sobre se será esta a melhor altura para arriscar nos novos fármacos.


INFORME-SE. ESCLAREÇA-SE. PREVINA-SE.


Dra. Sara Ferreira - Serviço de Gastrenterologia do IPO de Lisboa

Dra. Margarida Figueiredo - Laboratório de Virologia do IPO de Lisboa


 
   

 
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