Apesar de existirem factores de risco para o contágio, na realidade muitos deles constituem inevitabilidades transversais à população, pelo que não se deve restringir o rastreio destas infecções aos chamados “grupos de risco”.
As vias mais comuns de transmissão dos vírus das hepatites B e C são as seguintes:
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SANGUÍNEA
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Intervenções médicas/dentárias com material inadequadamente esterilizado;
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Transmissão vertical (isto é, de mãe para filho durante a gravidez e parto);
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Partilha de objectos por toxicodependentes de drogas injectáveis e inaladas;
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Partilha de objectos domésticos passíveis de conter sangue contaminado, como escovas de dentes, corta-unhas ou lâminas de barbear;
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Tatuagens e piercings efectuados com material inadequadamente esterilizado.
No caso da hepatite B, a infecção pode também ser contraída por via sexual.
A vacina para a hepatite B é a melhor forma de prevenir a infecção, dado que é muito eficaz e segura. Infelizmente, não está ainda disponível uma vacina para a hepatite C.
Quero crer que longe vão os tempos em que os médicos se limitavam a observar a evolução do padrão das chamadas “análises do fígado” (TRANSAMINASES), para decidir proceder ou não à referenciação destes doentes. Nestas infecções, a pior decisão é a de ficar tranquilo apenas com a ausência de sintomas. Enquanto isso, muitas vezes o vírus não só está activo como se perde, um tempo útil, para actuar. E mesmo que a melhor decisão agora seja a de não tratar, dentro de 4 ou 6 meses tudo pode ser diferente. Na realidade, as hepatites B e C podem ter um padrão de evolução muito flutuante e traiçoeiro. Assim, os testes laboratoriais, com a detecção directa (carga viral) ou indirecta (marcadores serológicos) dos agentes virais, são uma mais-valia para o diagnóstico e acompanhamento terapêutico.
No caso da hepatite B crónica, a cura da infecção, objectivo último da nossa actuação como médicos, é ainda poucas vezes alcançada. Por isso, o esforço deve centrar-se em manter o vírus inactivo durante o máximo tempo de tempo possível, o que muitas vezes requer mudanças de fármacos, face ao risco de resistências.
No caso da hepatite C, a cura é um objectivo possível num número cada vez maior de casos. Na realidade, apesar de a terapêutica ser normalmente mais difícil do que no caso da hepatite B, pois ainda implica o uso de um fármaco injectável e com efeitos adversos não desprezíveis, assistiram-se nos últimos anos a avanços apreciáveis no conhecimento e controlo desta infecção.
Os novos fármacos para a hepatite C, cuja importância é indiscutível até para chamar a atenção para a infecção, são delicados em termos de cumprimento terapêutico, efeitos adversos e custo. E se alguns doentes não podem esperar mais alguns anos e beneficiar dos avanços prometidos em termos de tolerabilidade e segurança, outros há em que a dúvida permanece sobre se será esta a melhor altura para arriscar nos novos fármacos.
INFORME-SE. ESCLAREÇA-SE. PREVINA-SE.